A CIDADE COLORIDA

Areia, serena cidadezinha localizada no brejo paraibano, a 130 Km da capital, João Pessoa, é, talvez, a cidade mais encantadora de toda a Paraíba.Tão encantadora que, certamente, daria para redigir todo um romance de gênero realismo mágico – à lá Gabriel García Márquez; uma peça à maneira do Dias Gomes; quiçá, filmar uma novela ao estilo Benedito Ruy Barbosa; ou um filme, aos modos do Tim Burton, com trilha sonora do Tim Rescala – ambientado no lugar.

A arquitetura renascentista, colonial, neocolonial e art déco dos preservados prédios, casas e casarões históricos, multicores, que embelezam o município como luzes de Natal, ou bandeirolas de São João, durante os 365 dias do ano, nos dá a sensação de estarmos em mundo mágico.

O teatro Minerva – o primeiro teatro da Paraíba, inaugurado em 1859 – a torre da igreja matriz, os engenhos de cana-de-açúcar, a tranquilidade das praças, a casa do pintor Pedro Américo, o museu regional, a cultura da cachaça, o clima agradável, a serra, verde de dia, enevoada à noite, enleiam a magia do local.

Sinto um encantamento tão forte por esta cidade que, às vezes, peço à vida para encontrar um grande amor de lá, casar-me, fixar-me na mesma e passar a conhecer toda a gente. O padre, o padeiro, o bodegueiro, os líderes políticos, as velhas vestidas de chita fofocando nas calçadas e os trabalhadores dos engenhos velhos. Botar todos no papel, transformá-los em literatura.

Fecho os olhos, adormeço – imagino-me velho, sentado à porta, olhando a rua, os transeuntes que passam, sorvendo café, mastigando orelha-de-vó. Vejo-me plantando pés de flamboyants vermelhos e ipês coloridos em volta da casa. Ipês brancos, rosas, amarelos, violetas... Cactos, flores e rosas preenchendo a varanda num sonho irisantemente furta-cor.

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