A ÁRVORE DA LOJA
Passear comigo pelas ruas de Campina Grande é ter de suportar as minhas frequentes estagnações de memória. Outro dia, eu caminhava com a minha ex-namorada pelo centro da cidade. Íamos à Rodoviária Velha, obter informações sobre a compra da sua passagem de volta, a Alagoas. Descemos a ladeira da rua Cardoso Viêira, viramos a esquina, atravessamos a Barão do Abiaí e passamos em frente à velha loja de alpercatas. Outrora, havia uma árvore plantada em seu interior. O tronco rijo, fixado ao solo, saía do piso gasto e crescera imponente, extendendo seus galhos e folhas para além do teto simplório da venda.
O menino, de mãos dadas com o pai, espantara-se: – Olha pai, a árvore dentro da loja! – Como seria possível aquilo? A natureza brotar do concreto? Quem teria erguido-se primeiro: a árvore no centro ou as paredes em redor? O pai nunca explicara ao menino quem nascera primeiro. Deixara ficar subentendidas as respostas às perguntas do infante. Não que lhe fosse indiferente. Mas, talvez, por faltar-lhe a instrução didática, o jeito de expressar-se corretamente; ou, talvez, para manter os mistérios da vida na memória imagética do menino
Atônito, parado defronte da loja, pergunto ao vendedor: – Boa tarde, senhor. Há 17 anos havia uma árvore dentro desta loja. Quem a cortou? – O homem fatigado pelo cansaço cotidiano responde-me ininteligível. A moça de Alagoas, impaciente, puxa-me pelo braço: – Vamos, homem! Quanta bobagem...

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